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Continuo namorando a atriz e cada dia mais feliz. Continuo fazendo mestrado e começo a ficar angustiado.
Não estou em clima de Carnaval e preciso trabalhar.
Prometi que não iria assistir ao BBB este ano e cumpro.
Continuo viajando bastante.
Tenho assistido alguns filmes bons e recomendo: “A culpa é do Fidel”, “Paris, te amo”, “Os sonhadores” e “Amores Brutos”.
Outros eu não recomendo, mas assistam (?!): “Transformers” e “Duro de matar 4.0”.

Sou cinéfilo e admito (primeiro passo).
Quero encontrar mais os meus amigos.
Acho o processo eleitoral norte-americano idiota, mas o Obama leva.
Quero um cartão corporativo.
Acho que a carne não vai ficar mais barata.
Quero escrever mais no blog.
Acho que proibir um carro alegórico de desfilar é censura.
Quero aprender outra língua.
Tenho ouvido Mutantes e Smashing Pumpkins entre sambas e jazz (jazzes?).
Quero viajar mais.
Acho que o rock nacional nunca passou por dias tão tenebrosos.
Descobri um fiozinho de esperança em uma banda chamada “Do amor”...mas ainda não.
O meu ombro direito dói.
Preciso ir ao hospital.
Mas acho que só depois do Carnaval.
ri

E agora tenho o prazer de entregar o prêmio de melhor livro de ficção deste ano para... o autor de “Por Obséquio, Cale a Boca!”, Chico Menegídeo!
É então, eu tava a fim de fazer algo diferenciado, sabe? Algo que pudesse trazer de volta a primavera da minha vida, que nem, ou melhor, igual que nem eu era garoto e brincava na rua e via as coisas que nem elas são, via tudo do mesmo nível, podia sentir, cheirar, até lamber qualquer coisa e daí eu tinha certeza de como tudo era de verdade. Hoje se eu fizer isso na rua, não sei, podem até achar esquisito e que eu to precisando de alguma coisa ou que eu to louco mesmo, não dá mais, sabe? Mas é uma pena, sinto muita falta, quer dizer, tem um monte de coisa que eu já experimentei ou já cheirei ou sei lá o que eu fiz, mas que eu já sei como é, mas tem muita coisa nova pelas ruas e dá uma vontade, mas aí eu tenho que me segurar pra manter a sociedade tranqüila, e mesmo as que eu já sei, hummm, ainda me vem a vontade, porque, bom, sabe, as coisas parecem que mudam quando a gente cresce, não sei, mas eu tenho a impressão de que as coisas são mais gostosas quando a gente é pequeno, igual que nem um sorvete de uva que saía de uma garrafa e que vendia perto do colégio, achava a maior delícia do mundo até o dia em que eu parei de tomar, que eu nem sei por que foi, mas sei que um dia desses tava andando e vi o raio do carrinho do sorvete e quis tomar depois de dez anos, é uma merda! Não tem gosto de nada, até joguei no bueiro, mas não é isso o que eu lembro de quando era garoto, sabe? Aí eu fico com a vontade de ver se ainda é a mesma coisa ou tudo muda que nem o sorvete de uva, não sei, também às vezes acho que é melhor nem testar mais nada que é pra não ter mais decepção, mas ainda dá vontade! Mas é disso que fala o meu livro. E não que eu tive uma infância rica não, quer dizer, que não que eu tinha dinheiro e passava bem, igual que nem aquele sorvete lá, eu trocava muita merenda por moedinha pra conseguir tomar, pois é, se eu soubesse que era uma merda antes tinha me alimentado melhor, acho que é por isso que eu sou meio atarracado, sabe? Mas é, uma infância pobre é mais rica que qualquer adultância. E é mais ou menos isso aí, mas no livro eu explico bem melhor.

Ela termina de se vestir, bate a porte do quarto e anda pelo corredor estreito e mal iluminado, os neons das fachadas piscam e a ajudam a ver o caminho. Ela desce as escadas e mal olha para o porteiro que dorme debruçado em sua mesinha, - sobre ela apenas palavras cruzadas, um rádio e o quadrinho de chaves - o barulho do portão se fechando o acorda num susto, mas logo volta ao seu ofício. Antes dela seguir, pára e olha para o prédio antigo como quem se despede. È noite alta, mas as ruas estão cheias. Caminha pela calçada observando as pessoas, olha em seus rostos, como se procurasse por um conhecido, vaga pela cidade noite adentro, alguns já estão no ônibus indo para o trabalho, ela os vê encostados nas janelas, tentando (em vão) ainda dormir. Os carros passam, a provocam, nem liga. Um desses a acompanha e faz suas propostas, mas ela ignora num suspiro. Cansada, senta-se num degrau, recosta-se no batente e, por alguns segundos, tenta sonhar, mas logo levanta e continua a sua caminhada. Entra num boteco e senta numa mesinha, as pessoas parecem estar especialmente animadas à sua volta. Ela brinca sem mais com o copo de cerveja, deslizando levemente os dedos sobre a boca molhada, fazendo ele pender ora para frente, ora para trás. Tem o olhar distante, perdido, porém, tranqüilo. Uma roda lhe chama a atenção, um rapaz e três moças, todos bebem e dão risadas. Num sobressalto o copo se estilhaça, escorre sobre a mesa cerveja e sangue, o dela. Sai do bar correndo. Volta a caminhar pelas ruas, mas agora de maneira desesperada, procura nas pessoas, nas faces, nos seus olhos e não encontra nada que a satisfaça. Percorre apressada as ruas do centro, está cada vez mais exausta, não consegue mais. Para numa esquina qualquer e, abraçada ao poste, chora. Desconsolada segue em direção a estação de metrô, de um camelô compra por dois reais um pequeno buquê de flores comuns. O trem vai sentido leste e no caminho as luzes da cidade vão se apagando e o Sol vai nascendo. Sentada no vagão, ainda tenta uma última busca nos rostos que a acompanham na viagem, mas são só alguns trabalhadores e outros vagabundos, poucos no todo. Salta e segue com destino certo, caminha olhando unicamente para o chão, não há mais o que buscar. Passo a passo o seu salto alto vai rompendo a estreita rua de pedras, logo esta se torna de terra, batida e vermelha. Aos pés da pequena cruz branca ela deixa o ramalhete de flores, vira-se e vai embora.
ri




Ele entra.
Me tomo fitando o céu.
Mesmo sem fome e com nojo, me sento no mesmo lugar.
Ah! O livro é o mesmo de ontem.
Paul Auster é difícil.
Ele diz, vai chover.
O gramofone pesava.
Ele o apoiou em minha escrivaninha.
Se a comida fosse boa, o paraíso seria aqui.
Sem perceber, falei.
Ela riu.
Devolvi.
Funciona?
Não, mas é um belíssimo enfeite.
Alego não haver interesse.
Trouxe o lanche. Ansiava pelo refrigerante.
Ela foi.
Ela se curvou.
Ele pergunta se eu sei de onde ele veio.
Nem respondo.
E de ônibus.
Sua bunda,
Sua bunda imensa e disforme sorriu para mim.
Suei frio.
E assim vai voltar, digo eu.
Esse gramofone tem história.
O cheiro é do ralo.
Porque o Senhor disse aquilo?
Eu gosto daqui, ta sempre vazio, consigo sempre o mesmo lugar no balcão.
A vida é dura.
Dura é o caralho, pragueja ele.
Eu pagaria só pra olhar essa bunda.